segunda-feira, dezembro 11, 2006

Estamos quase naquele dia tão importante... o meu aniversário

O blog Sarices Artísticas não podia passar esta data em branco e, por isso, quem quiser de algum modo contribuir para a minha felicidade no dia 27 do presente mês, trate de escolher algo da lista seguinte para me proporcionar um dia inesquecível (bolas, só se fazem 20 anos uma vez na vida...)
- Uma viagem a Londres, com estadia paga e viagens pelos alfarrabistas de Nothing Hill e, CLARO, Stratford-upon-Avon
- A primeira temporada do House Md. Dou-vos uma ajuda, está na FNAC.
- O livro Nothing like the Sun, de Anthony Burguess. Dica: só pelo Amazon.
- Um arco de violino
- Aquele livro sobre Alternative Scriptwriting que está na Bertrand
- A série Nip Tuck e a Six Feet Under.
- O filme American Beauty. Sim, é lindo
- Vocês-sabem-quem à minha porta vocês-sabem-onde também seria bom, como vocês sabem... (se quiserem deitar-se a adivinhar de que raio estou a falar, força, deixem-me um post)
- O dvd do Ed Wood (ya, não existe em Portugal...)
- OK, eu já fico feliz com um mero e-mail/SMS/bilhete para a ópera. A sério. E um donut de chocolate



Este Natal, seja original - ofereça um blog de fotos atrevidas ao seu namorado. Força nisso, Kel!

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Os meus dois novos mestres

Sofia Coppola

Krzysztof Kieslowski

As matinés de Domingo

Para o estudante de Cinema, as matinés de Domingo dos nossos queridos quatro canais só significa uma coisa: filmes bastante dispensáveis, animais/bebés/utensílios de cozinha que falam, pancadaria japonesa e comédias românticas que estão bastante fora do prazo.

Bem, este domingo aquele canal que começa por T, acaba em I e tem um V no meio passou o Mean Girls e o Down With Love. E como tinha passado sexta e sábado de volta do meu guião e de livros altamente intelectualóides sobre a problemática da adaptação, resolvi tirar uma folga, estirar-me no sofá e ver a coisa.

Mean Girls, tenho de confessar, fui ver ao cinema. Sozinha. Depois do exame nacional de História, o meu último, por acaso. E gostei. Sim, gostei, 'tá giro.

Down With Love - o tal canal anunciou-o como estreia, mas tenho as minhas dúvidas, porque já tinha visto aquilo no meu sofá - ok, também é giro, principalmente aquele uso maroto do split screen.

Estou a escrever isto porque há algo que me aflige. Tenho-me apercebido que a História do Cinema privilegia aquilo que eu chamo 'filme de gajo', ignorando como mau à partida tudo o que lhe cheire a chick flick. Bem, há excepções, mas na maior parte dos casos... E este ano é o lobby Scorsese. Sim, acreditem, vão-lhe dar o Óscar este ano. Já tá tudo decidido. Não sei como podem ser tão maus para filmes como The Perfume e Marie Antoinnette para depois elevarem aos píncaros o The Departed. Não, não vi o filme. Mas não preciso de o ver pra saber que é outro Million Dollar Baby - giro, pena que já se fizeram filmes com o mesmo tema e muito melhores.

Argh, eu ando é muito indie e feminista, desculpem lá...

A recomendação da semana, aqui na Sarices




Sabem, mes amis, once upon a time there comes a picture that changes the history of all motion pictures... Um dos meus grandes desejos impossíveis, logo a seguir ao ter uma relação escaldante com o Johnny Depp, é ter tempo pra escrever pequenas críticas de todos os filmes que vejo. Impossível, claro, mesmo para quem tem tão pouca vida social como eu. Por isso me limito a dizer gostei/não gostei/nem pensem que vou ao cinema ver isso. Redutor, mas eficaz.
A Trilogia das Três Cores do polaco Krzysztof Kieślowski era daquelas coisas que eu sabia que tinha de ver, mais tarde ou mais cedo, não porque ouvisse falar muito dela, mas porque me perseguia para todo o lado (sabem o que eu digo, quando algo nos persegue, mais vale enfrentá-lo). E lá os vi, pela ordem Azul - Branco - Vermelho. E não é que os filmes são mesmo bons??? Mesmo muito, muito bons. E europeus. Mais um realizador do qual tenciono ver o máximo possível. E vocês, mes amis, que tal darem uma olhadela? Não se vão arrepender...

segunda-feira, novembro 20, 2006

Poesia russa pros mes amis


HAMLET

Acalma-se o tumulto. No palco estou
contra o portal da porta,
ao longe, reconhecendo vagamente
o que o meu tempo pode trazer.

O escuro da noite jorra sobre mim
milhares de olhos que me fima;
mas Abba, Pai, se essa for a tua vontade,
afasta este cálice dos meus lábios.

Com firmeza o teu desígnio tem o meu amor,
este papel que me deste quero ter;
mas agora encena-se um drama diferente:
poupa-me agora do teu caminho.

E no entanto a ordem dos actos é fixa,
o fim do caminho e irreversível.
Estou só. Agora é o tempo dos Fariseus.
A vida não é como um passeio ao campo.

É impróprio ser famoso
pois não é isso que eleva.
E não vale a pena ter arquivos
nem perder tempo com manuscritos velhos.

O caminho da criação é a entrega total
e não fazer barulho ou ter sucesso.
Infelizmente, nada significa
como uma alegoria andar de boca em boca.

Mas é preciso viver sem pretensões,
viver de tal modo que no fim de contas
venha até nós um amor ideal
e ouçamos o apelo dos anos que hão-de vir.

O que é preciso rever
é o destino, não antigos papéis;
lugares e capítulos de uma vida inteira
anotar ou emendar.

E mergulhar no anonimato,
e ocultar nele os nossos passos,
como foge a paisagem na neblina
em plena escuridão.

Que outros nesse rasto vivo
seguirão o teu caminho passo a passo,
mas tu próprio não deves distinguir
a derrota da vitória.

E não deves por um só instante
recuar ou trair o que tu és,
mas estar vivo, e só vivo,
e só vivo – até ao fim.

Boris Pasternak

quinta-feira, novembro 09, 2006

Top 4 dos 4 euros mais mal empregues da minha vida

1. Rasganço
2. O reino dos céus
3. Guerra dos Mundos
4. Hannibal
PP.Graças ao Pedro, tenho de fazer umas pequenas explicações neste post. Sim, há coisas piores que a Guerra dos Mundos, mas não comprei bilhetes para elas. E o Hannibal o problema é mais pessoal que do filme. Ok, digamos que não vi muito do filme. Aí uns 20 minutos. Por isso é que o dinheiro foi mal empregue.
ass. Lady Sara C é tão fácil escrever no blog quando ninguém lê o que escrevemos...

quarta-feira, novembro 08, 2006

Porque é que a Lusomundo é má

1. Em 16 salas presentes em Coimbra, não arranjou espaço para a Marie Antoinnette da Sofia Coppola e nem para o Paris Je t'aime. Estes dois filmes, no centro norte, estão apenas no Porto. Para quando a descentralização, hã? Ou julgam que em Coimbra são só farras e ninguém gosta de cinema para além de blockbusters?
2. Filmes bons como The Hitchickers Guide to The Galaxy ficaram apenas durante duas semanas, com duas sessões nocturnas por dia, enquanto que filmes como Piratas das Caraíbas 2 (e eu nada tenho contra este filme!), ficam meses a fio.
3. Permite que comam pipocas e bebam Coca-cola nas salas. Primeiro, é um barulhão infernal. Depois, ainda ontem um tipo deixou cair a cola e a mala da Kel ficou toda badalhoca. Se eu fosse a ela pedia uma indemnização.
4. As salas são o mais despersonalizadas que há. Além disso, estão mal isoladas. Quando fui ver a Black Dahlia estava a ouvir as Torres Gémeas a cairem na sala ao lado...
5. É demasiado tempo de publicidade, e muitos poucos traillers. E sempre os mesmos anúncios da treta. Que o mundo possa girar sem mais anúncios à Sagres Abadia. Blhech.
6. Fez fechar dois dos mais queridos cinemas de Coimbra: o Girassol, primeiro, e depois o alternativo Avenida. Qualquer dia transformam-se numa Zara, como o outro...
7. Quatro euros, preço de estudante, para ir ver um filme? São 800 paus! É muito caro, e ainda mais para quem não tem direito a desconto (5.20). Por favor! E se quarta-feira é suposto ser o dia mais barato, devia ser abaixo dos 4 euros, senão qual é o sentido?

Se me lembrar de mais (oh, de certeza que vou!), vou postando.

quarta-feira, outubro 25, 2006

Uma imagem, um texto, mais um post...


Rotina (Pedro Mexia)

Este é o meu número:
telefonem-me.
Este é o sítio
onde passo as tardes:
encontrem-me.
Ou não me telefonem
nem me encontrem
mas pensem em mim
enquanto estiverem a viver.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Onde está a velocidade?

Ontem a minha mãe fez-me o enorme favor de me comprar 'A Noiva Cadáver', filme que, vocês sabem, marcou a viragem da vossa anfitriã dos homens com collants e amantes morenas para o fascinante mundo do cinema. No início do DVD, surge aquela publicidade 'você nunca roubaria um carro', etc, etc.

Vocês já toparam a velocidade do computador da tipa a fazer download? Uau!!!!

Mas a sério. Eu prefiro comprar DVDs originais . Cds é outra história, pra mim a música é pública - e a velha história de, quantos mais conhecerem, mais vão aos concertos. Agora, tenho um grande problema com os preços dos DVDs. Hoje em dia há uns bem baratinhos, na FNAC, na BOX, mesmo na WORTEN (vá, pagem-me pra eu fazer publicidade). Agora, todos os DVS de autor, ou seja, aqueles muito difíceis de arranjar e dos quais preciso para as aulas são mais de 20 Euros. Fora aqueles que não estão editados em Portugal, né?

Meus amigos, toca a fazer promoções também nesses DVDs. Vá lá, não custa nada.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Momento Zen de Reflexão Profunda

E sabem o que é mesmo muito, muito mal filmado, pior que os Morangos com Açúcar?


Os Jogos de Futebol!!!!!!!


Só zooms, e voltas atrás ridículas, e tantas vezes não se percebe o que se está a passar, e não há grandes planos da cara e emoção dos jogadores...

segunda-feira, outubro 09, 2006

Voltei, voltei...

Mes amis, eu Sobrevivi ao IMAGO do Fundão e voltei prá monotonia e civilização coimbrã!!!

Que aprendi eu durante esta longa semana?

1. O Jodorowski é genial
2. Os tipos da ATMO são geniais
3. o site Youtube é genial
4. Eu ainda vou ter de ver muito filme até poder ter uma conversa cinéfila decente e genial
5. O sítio português mais parecido com o Twilight Zone é a estação de autocarros de Viseu (podem ir confirmar, por vossa conta e risco)
6. A CP é genial
7. Apanhar uma gripe quando se regressa à civilização é francamente pouco inteligente

quarta-feira, outubro 04, 2006

Os filmes da minha vida (top ten)

1. O Pianista (Polanski)
2. Inteligência Artificial (Spielberg)
3. O Grande Peixe (Tim Burton)
4. Moulin Rouge (Luhrmann)
5. Os Sonhadores (Bertollucci)
6. O Despertar da Mente (Gondry)
7. Rosencratz e Guildenstern Estão Mortos (Stoppard)
8. Mar Adentr (Amenabar)
9. 10 coisas que odeio em ti (Jungen)
10. Closer (Nichols)

3. Sext (W. H. Auden)

I.
You need not to see what someone is doing
to know if it is his vocation,

you have only to watch his eyes:
a cook mixing a sauce, a surgeon

making a primary incision,
a clerk completing a bill of lading,

wear the same rapt expression,
forgetting themselves in a function.

How beautiful it is,
that eye-on-the-object look.

To ignore the appetitive goddess,
to desert the formidable shrines

of Rhea, Aphrodite, Demeter, Diana,
to pray instead to St. Phocas,

St. Barbara, San Saturnino,
or whoever one's patron is,

that one may be worthy of their mistery.
what a prodigious step to have taken.

There should be monuments, there should be odes,
to the nameless heroes who took it first,

to the first flaker of flirts
who forgot his dinner,

the first collector of sea-shells
to remain celibate.

Where should we be but for them?
Feral still, un-house trained, still

Wandering through forests without
a consonant to our names,

slaves of Dame kind, lacking
all notion of a city.

and, at this noon, for this death,
there would be no agents.

quinta-feira, setembro 28, 2006

Este é o carro da minha vida (homens que me pretendem comprar com prendas, isto é um bom investimento!)

Um Cadillac de 1959 Convertible!!!!
(noutra cor, talvez;)

Cartinha ao Papai Noël

Sim, eu sei, o Natal ainda vem longe, mas isso de adiantar as coisas (se bem que estranho para alguém nascido na terra do Poeta Zarolho) não tem mal nenhum, pois não?


Dearest Santa Claus (Kiduxo Papá do Xmas):
Venho por este meio apresentar a minha lista de prendas pretendidas para o próximo dia 25 de Dezembro de 2006, completamente merecidas devido ao facto do meu excelente comportamento este ano (excepto aquele recôndito dia em Fevereiro... e a Queima, mas tens de me dar um desconto). Agradecemos desde já a sua disponibilidade cibernética pra ler estas coisinhas, e também a concretização de um ou mais pedidos - quantos mais pedidos satisfeitos, mais bolachinhas de chocolate ao pé da lareira (já agora, tens livro de Reclamações?). Passo então a enumerar a Lista de Prendas pra Lady Sara C:
Item 1 - Um Johnny Depp (não precisa de embrulho ou roupa ou acessórios)
Item 2 - Um Cadillac Convertível de 1959 (em preto ou branco ou verde alface berrante)
Item 3 - Um Disco Rígido Externo de 500 GB SATÃÃÃÃ
Item 4 - As três partes do Henry VI de Shakespeare, edição das mais recentes da Arden
Item 5 - Um pijama daquela loja gira e cara do Dolce que não é a Oshyo e que começa por T ou lá o que é (tem pijamas com tubarões que brilham no escuro)
Item 6 - Uma câmara enorme, profissional, da Sony (modelo mais recente e que dê pra ligar ao portátil, s'il vous plaiz)
Item 7 - Um peluche gigante pró Dumas destruir (pra não ser tudo pra mim...)
Item 8 - Um arco de Violino. Já agora, um Stradivarius. Qualquer um deles, desde que não se desfaça aos pedaços quando se agarra.
Item 9 - Bolachas Húngaras
Item 10 - O óscar de melhor realização 2007 (arranja-te)
Item 11 - Um pessegueiro que dê fruta de qualidade em quantidade todo o ano
Item 12 - Todos os livros da Taschen
E acho que é tudo, by now.
Os Melhores Cumprimentos
Lady Sara C, menina extremamente bem comportada e muito, mas muito, materialista. ;)

terça-feira, setembro 19, 2006

IMAGO do Fundão


Adivinhem quem conseguiu um lugar no Júri Jovem do Festival de Cinema do Fundão, quem fui, quem fui??? ;)

Sunset Boulevard de Billy Wilder


Aqui a vossa anfitriã está a ver grandes clássicos do cinema pra não fazer figura de ignorante este ano nas aulas. ;)
Este até que é engraçado. Recomendo especialmente o trailler. A Movie as Hollywood never seen... A great story... ;)
Recomendo, recomendo. A actriz que faz de Norma Desmond está excelente (para a época, claro). O momento em que o casalinho passeia pelos estúdios da Paramount é fantástico, também. (um semestre de Estética e outro de Fundamentos da Crítica para aplicar adjectivos como 'excelente' e 'fatástico'... e não ser 'bestial', acho que já é muito bom.)

Momento Cesariny

Tantos pintores
A realidade comovida agradece
mas fica no mesmo sítio
(daqui ninguém me tira)
Chamado paisagem.

Tantos escritores
A realidade comovida agradece
E continua a fazer o seu frio
Sobre bairros inteiros, na cidade, e algures

Umas palavras de Woody Allen, aquele grande senhor americano que faz filmes europeus e toca 'cwarinete'

A média voz… mas muito média (in Sem Penas, Prosa Completa)

Pergunte-se ao homem comum quem escreveu as obras intituladas Hamlet, Romeu e Julieta e Otelo, e na maioria dos casos responderá, com confiança total: “O bardo imortal de Stratford upon Avon”. Pergunte-se quem foi o autor dos sonetos shakespearianos e logo se verá que a resposta ilógica é a mesma. Se estas mesmas perguntas forem feitas a certos detectives literários que parecem florescer periodicamente através dos anos, ninguém se deve surpreender se as respostas forem Sir Francis Bacon, Bem Jonson, rainha Isabel ou mesmo a Lei do Solo.

A mais recente de todas estas teorias aparece num livro que acabei de ler e onde se procura demonstrar definitivamente que o verdadeiro autor das obras de Shakespeare foi Christopher Marlowe. O livro expõe de forma muito convincente esta tese, e quando acabei de ler já não tinha a certeza se Shakespeare era Marlowe, ou Marlowe Shakespeare, ou o que quer que fosse. Uma coisa sei: nunca aceitei cheques de qualquer um deles e por isso gosto das obras que escreveram.

Ora, ao tentar considerar a teoria acima referida na sua justa perspectiva, a minha primeira pergunta é: se Marlowe escreveu as obras de Shakespeare, quem escreveu as de Marlowe? A resposta a esta questão encontra-se no facto de Shakespeare ser casado com uma mulher chamada Anne Hathaway. Isto sabemos nós ao certo. Contudo, segundo a nova teoria, foi Marlowe quem realmente esteve casado com Anne Hathaway, união que provocou em Shakespeare um pesar sem limites, uma vez que eles nunca o deixaram entrar em casa.

Um dia funesto: numa disputa mesquinha sobre quem era o último na bicha para a padaria, Marlowe foi morto… morto ou aberto a meio, disfarçado, para evitar que o acusassem de heresia, crime muito grave e punível com a morte, ou ser aberto a meio, ou ambas as coisas.

Foi então que a jovem mulher de Marlowe agarrou na pena e continuou a escrever as obras e sonetos que todos conhecemos hoje. Mas peço que me seja permitido fazer um esclarecimento.

Todos sabemos que Shakespeare (Marlowe) retirava os seus argumentos dos antigos (modernos); contudo, quando chegou a altura de os devolver, os argumentos estavam tão gastos que se viu forçado a sair do país sob o suposto nome de William Bardo (donde o termo “bardo imortal”) para escapar à prisão por dívidas (donde o termo “prisão por dívidas”). É aqui que Sir Francis Bacon entra em cena. Bacon foi, na sua época, um inovador, porque levou à prática certos conceitos avançados de congelação. Conta a lenda que morreu quando tentava congelar uma galinha. Aparentemente a galinha empurrou primeiro. Esforçando-se por esconder Marlowe a Shakespeare, se se demonstrasse serem a mesma pessoa, Bacon adoptou o nome fictício de Alexander Pope, que na realidade era o Pope Alexander, chefe da Igreja Ortodoxa Russa, actualmente no exílio por causa da invasão da Rússia pelos Bardos, uma das últimas tribos nómadas (os Bardos estão na origem do termo “bardo imortal”), e que alguns anos antes tinha escapado a cavalo para Londres, onde Raleigh esperava a morte na torre.

O mistério aprofunda-se, pois, segundo reza a história, Bem Jonson encenou um funeral falso para Marlowe, tendo convencido um poeta menor a ocupar o lugar daquele no enterro. Não se deve confundir Bem Jonson com Samuel Jonhson. Era Samuel Johnson. Samuel Johnson não era. Samuel Johnson era Samuel Pepys. Pepys era na realidade Raleigh, que tinha fugido da torre para poder escrever O Paraíso Perdido sob o nome de Jonh Milton, um poeta que por ser cego se havia livrado da torre e que foi enforcado sob o nome de Jonathan Swift. Tudo se torna mais claro quando se descobre que George Eliot era uma mulher.

A partir daqui, por conseguinte, O Rei Lear não é uma peça de Shakespeare mas uma crítica satírica de Chaucer, originariamente chamada Ninguém é Perfeito, que proporciona uma pista do homem que matou Marlowe, homem que na época Elizabetiana (ou de Elizabeth Barret Browning) era conhecido por Old Vic. Old Vic tornou-se depois mais célebre como Victor Hugo, o que escreveu O Corcunda de Notre Dame, romance que numerosos peritos literários consideram ser apenas Coriolanus com algumas alterações óbvias. (Convém ler ambas as obras, e depressa).

Resta perguntar se Lewis Carroll não estava a caricaturar toda essa situação quando escreveu Alice no País das Maravilhas. O Coelho Branco seria Shakespeare, o Chapeleiro Louco seria Marlowe, o Rato seria Bacon – ou o Chapeleiro Luco seria Bacon e o Coelho Branco Marlowe – ou Carroll Bacon e o Rato Marlowe – ou Alice seria Shakespeare – ou Bacon – ou Carroll seria o Chapeleiro Louco. É uma pena que Carroll não esteja vivo para pôr tudo em pratos limpos. Ou Bacon. Ou Marlowe. Ou Shakespeare. O importante é que quando alguém se muda deve avisar os correios. A menos que não se ligue nenhuma à posteridade.