quarta-feira, outubro 04, 2006

3. Sext (W. H. Auden)

I.
You need not to see what someone is doing
to know if it is his vocation,

you have only to watch his eyes:
a cook mixing a sauce, a surgeon

making a primary incision,
a clerk completing a bill of lading,

wear the same rapt expression,
forgetting themselves in a function.

How beautiful it is,
that eye-on-the-object look.

To ignore the appetitive goddess,
to desert the formidable shrines

of Rhea, Aphrodite, Demeter, Diana,
to pray instead to St. Phocas,

St. Barbara, San Saturnino,
or whoever one's patron is,

that one may be worthy of their mistery.
what a prodigious step to have taken.

There should be monuments, there should be odes,
to the nameless heroes who took it first,

to the first flaker of flirts
who forgot his dinner,

the first collector of sea-shells
to remain celibate.

Where should we be but for them?
Feral still, un-house trained, still

Wandering through forests without
a consonant to our names,

slaves of Dame kind, lacking
all notion of a city.

and, at this noon, for this death,
there would be no agents.

quinta-feira, setembro 28, 2006

Este é o carro da minha vida (homens que me pretendem comprar com prendas, isto é um bom investimento!)

Um Cadillac de 1959 Convertible!!!!
(noutra cor, talvez;)

Cartinha ao Papai Noël

Sim, eu sei, o Natal ainda vem longe, mas isso de adiantar as coisas (se bem que estranho para alguém nascido na terra do Poeta Zarolho) não tem mal nenhum, pois não?


Dearest Santa Claus (Kiduxo Papá do Xmas):
Venho por este meio apresentar a minha lista de prendas pretendidas para o próximo dia 25 de Dezembro de 2006, completamente merecidas devido ao facto do meu excelente comportamento este ano (excepto aquele recôndito dia em Fevereiro... e a Queima, mas tens de me dar um desconto). Agradecemos desde já a sua disponibilidade cibernética pra ler estas coisinhas, e também a concretização de um ou mais pedidos - quantos mais pedidos satisfeitos, mais bolachinhas de chocolate ao pé da lareira (já agora, tens livro de Reclamações?). Passo então a enumerar a Lista de Prendas pra Lady Sara C:
Item 1 - Um Johnny Depp (não precisa de embrulho ou roupa ou acessórios)
Item 2 - Um Cadillac Convertível de 1959 (em preto ou branco ou verde alface berrante)
Item 3 - Um Disco Rígido Externo de 500 GB SATÃÃÃÃ
Item 4 - As três partes do Henry VI de Shakespeare, edição das mais recentes da Arden
Item 5 - Um pijama daquela loja gira e cara do Dolce que não é a Oshyo e que começa por T ou lá o que é (tem pijamas com tubarões que brilham no escuro)
Item 6 - Uma câmara enorme, profissional, da Sony (modelo mais recente e que dê pra ligar ao portátil, s'il vous plaiz)
Item 7 - Um peluche gigante pró Dumas destruir (pra não ser tudo pra mim...)
Item 8 - Um arco de Violino. Já agora, um Stradivarius. Qualquer um deles, desde que não se desfaça aos pedaços quando se agarra.
Item 9 - Bolachas Húngaras
Item 10 - O óscar de melhor realização 2007 (arranja-te)
Item 11 - Um pessegueiro que dê fruta de qualidade em quantidade todo o ano
Item 12 - Todos os livros da Taschen
E acho que é tudo, by now.
Os Melhores Cumprimentos
Lady Sara C, menina extremamente bem comportada e muito, mas muito, materialista. ;)

terça-feira, setembro 19, 2006

IMAGO do Fundão


Adivinhem quem conseguiu um lugar no Júri Jovem do Festival de Cinema do Fundão, quem fui, quem fui??? ;)

Sunset Boulevard de Billy Wilder


Aqui a vossa anfitriã está a ver grandes clássicos do cinema pra não fazer figura de ignorante este ano nas aulas. ;)
Este até que é engraçado. Recomendo especialmente o trailler. A Movie as Hollywood never seen... A great story... ;)
Recomendo, recomendo. A actriz que faz de Norma Desmond está excelente (para a época, claro). O momento em que o casalinho passeia pelos estúdios da Paramount é fantástico, também. (um semestre de Estética e outro de Fundamentos da Crítica para aplicar adjectivos como 'excelente' e 'fatástico'... e não ser 'bestial', acho que já é muito bom.)

Momento Cesariny

Tantos pintores
A realidade comovida agradece
mas fica no mesmo sítio
(daqui ninguém me tira)
Chamado paisagem.

Tantos escritores
A realidade comovida agradece
E continua a fazer o seu frio
Sobre bairros inteiros, na cidade, e algures

Umas palavras de Woody Allen, aquele grande senhor americano que faz filmes europeus e toca 'cwarinete'

A média voz… mas muito média (in Sem Penas, Prosa Completa)

Pergunte-se ao homem comum quem escreveu as obras intituladas Hamlet, Romeu e Julieta e Otelo, e na maioria dos casos responderá, com confiança total: “O bardo imortal de Stratford upon Avon”. Pergunte-se quem foi o autor dos sonetos shakespearianos e logo se verá que a resposta ilógica é a mesma. Se estas mesmas perguntas forem feitas a certos detectives literários que parecem florescer periodicamente através dos anos, ninguém se deve surpreender se as respostas forem Sir Francis Bacon, Bem Jonson, rainha Isabel ou mesmo a Lei do Solo.

A mais recente de todas estas teorias aparece num livro que acabei de ler e onde se procura demonstrar definitivamente que o verdadeiro autor das obras de Shakespeare foi Christopher Marlowe. O livro expõe de forma muito convincente esta tese, e quando acabei de ler já não tinha a certeza se Shakespeare era Marlowe, ou Marlowe Shakespeare, ou o que quer que fosse. Uma coisa sei: nunca aceitei cheques de qualquer um deles e por isso gosto das obras que escreveram.

Ora, ao tentar considerar a teoria acima referida na sua justa perspectiva, a minha primeira pergunta é: se Marlowe escreveu as obras de Shakespeare, quem escreveu as de Marlowe? A resposta a esta questão encontra-se no facto de Shakespeare ser casado com uma mulher chamada Anne Hathaway. Isto sabemos nós ao certo. Contudo, segundo a nova teoria, foi Marlowe quem realmente esteve casado com Anne Hathaway, união que provocou em Shakespeare um pesar sem limites, uma vez que eles nunca o deixaram entrar em casa.

Um dia funesto: numa disputa mesquinha sobre quem era o último na bicha para a padaria, Marlowe foi morto… morto ou aberto a meio, disfarçado, para evitar que o acusassem de heresia, crime muito grave e punível com a morte, ou ser aberto a meio, ou ambas as coisas.

Foi então que a jovem mulher de Marlowe agarrou na pena e continuou a escrever as obras e sonetos que todos conhecemos hoje. Mas peço que me seja permitido fazer um esclarecimento.

Todos sabemos que Shakespeare (Marlowe) retirava os seus argumentos dos antigos (modernos); contudo, quando chegou a altura de os devolver, os argumentos estavam tão gastos que se viu forçado a sair do país sob o suposto nome de William Bardo (donde o termo “bardo imortal”) para escapar à prisão por dívidas (donde o termo “prisão por dívidas”). É aqui que Sir Francis Bacon entra em cena. Bacon foi, na sua época, um inovador, porque levou à prática certos conceitos avançados de congelação. Conta a lenda que morreu quando tentava congelar uma galinha. Aparentemente a galinha empurrou primeiro. Esforçando-se por esconder Marlowe a Shakespeare, se se demonstrasse serem a mesma pessoa, Bacon adoptou o nome fictício de Alexander Pope, que na realidade era o Pope Alexander, chefe da Igreja Ortodoxa Russa, actualmente no exílio por causa da invasão da Rússia pelos Bardos, uma das últimas tribos nómadas (os Bardos estão na origem do termo “bardo imortal”), e que alguns anos antes tinha escapado a cavalo para Londres, onde Raleigh esperava a morte na torre.

O mistério aprofunda-se, pois, segundo reza a história, Bem Jonson encenou um funeral falso para Marlowe, tendo convencido um poeta menor a ocupar o lugar daquele no enterro. Não se deve confundir Bem Jonson com Samuel Jonhson. Era Samuel Johnson. Samuel Johnson não era. Samuel Johnson era Samuel Pepys. Pepys era na realidade Raleigh, que tinha fugido da torre para poder escrever O Paraíso Perdido sob o nome de Jonh Milton, um poeta que por ser cego se havia livrado da torre e que foi enforcado sob o nome de Jonathan Swift. Tudo se torna mais claro quando se descobre que George Eliot era uma mulher.

A partir daqui, por conseguinte, O Rei Lear não é uma peça de Shakespeare mas uma crítica satírica de Chaucer, originariamente chamada Ninguém é Perfeito, que proporciona uma pista do homem que matou Marlowe, homem que na época Elizabetiana (ou de Elizabeth Barret Browning) era conhecido por Old Vic. Old Vic tornou-se depois mais célebre como Victor Hugo, o que escreveu O Corcunda de Notre Dame, romance que numerosos peritos literários consideram ser apenas Coriolanus com algumas alterações óbvias. (Convém ler ambas as obras, e depressa).

Resta perguntar se Lewis Carroll não estava a caricaturar toda essa situação quando escreveu Alice no País das Maravilhas. O Coelho Branco seria Shakespeare, o Chapeleiro Louco seria Marlowe, o Rato seria Bacon – ou o Chapeleiro Luco seria Bacon e o Coelho Branco Marlowe – ou Carroll Bacon e o Rato Marlowe – ou Alice seria Shakespeare – ou Bacon – ou Carroll seria o Chapeleiro Louco. É uma pena que Carroll não esteja vivo para pôr tudo em pratos limpos. Ou Bacon. Ou Marlowe. Ou Shakespeare. O importante é que quando alguém se muda deve avisar os correios. A menos que não se ligue nenhuma à posteridade.

sexta-feira, agosto 18, 2006

Cine-Teatro Avenida

A Lusomundo fez mais uma vítima. Fechou o Cine-Teatro Avenida, em Coimbra, o saudoso sítio onde a vossa anfitriã deu o seu primeiro beijo (ih, sara, és mesmo velha!!!) e viu filmes como 'Titanic', 'Mar Adentro', 'Tarzan', 'A Fuga das Galinhas' e 'O Grande Peixe', e que ultimamente era o único sítio pra ver cinema alternativo a horas decentes (sim, porque o TAGV adora passar filmes a horas estranhas), fechou. Kaput.

Menos um sítio pseudo-intelectual. Rest in Peace.

segunda-feira, agosto 14, 2006

Esta Noite ao Meio-Dia

Esta noite ao meio-dia
Os supermercados anunciarão DESCONTO em tudo
Esta noite ao meio-dia
As crianças de famílias felizes serão mandadas para um asilo
Os elefantes contarão uns aos outros anedotas humanas
A América vai declarar paz à Rússia
Generais da Grande Guerra venderão capacetes nas ruas no 11 de Novembro
Os primeiros narcisos de Outono hão-de aparecer
Quando as folhas caíam para as árvores

Esta noite ao meio-dia
Os pombos vão caçar gatos pelos quintais
Hitler dir-nos-á que lutemos nas costas e nas praias
Um túnel será aberto por Liverpool
Serão avistados porcos voando em formação sobre Woolton
e Nelson não só receberá o olho de volta mas também o braço
Os Americanos brancos exigirão igualdade de direitos
em frente da Casa Preta
e o Monstro acaba de criar o Dr. Frankenstein

Moças em bikini estão a banhar-se na lua
Canções populares estão sendo cantadas por autêntico povo
As galerias de arte são interditas a maiores de 21 anos
Os poetas vêem os seus poemas no Top 20.
Os políticos são eleitos para manicómios
Há empregos para todos e ninguém os quer
Em ruelas escusas amantes adolescentes beijam-se
à luz do dia
Em campas esquecidas em toda a parte os mortos calmamente enterrarão os vivos
e
Tu dir-me-ás que me amas
Esta noite ao meio-dia.




Adrian Henri (tradução de Manuel de Seabra)

Sete Palmos de Terra 2001-2005



Acabou a série de culto, criada por Allan Ball, ‘Sete Palmos de Terra’. Foi o fim. Definitivo.

Não vou mentir e dizer que sigo a série desde o início, sem perder um único episódio que fosse. Mas sinto-me como se tivesse. Ela entrou por acaso na minha vida, e deixou-se estar. Aé que comecei a ajustar a minha vida ao horário semanal (e nem sempre foi fácil).

A família Fischer. Os sócios Sanchez. Os desequilibrados Chenowith (a Brenda era a minha preferida, até se tornar demasiado normal e eu me voltar para a Claire Fischer). Vejo muitas séries (upa upa puxadote), mas nenhuma chega aos pés desta. Não, mesmo o Dr. House fica a milhas de distância.

Morte, morte e morte. E vida nos intervalos. Um estilo característico - a morte inicial, o fade-out para branco agoirentos, todo um tipo de fotografia.

Um quarentão com um tumor no cérebro. Uma mãe desequilibrada. Um casal gay. Uma adolescente revoltada. Uma viciada em sexo que se finge louca, um irmão que finge não o ser. Todos os elementos necessários a uma telenovela bem pirosa. E, no entanto, quão longe!

Mesmo pensando que Allan Ball realizou ‘American Beauty’ - de onde vem a famosa cena do saco que todos os teen teasers insistem em gozar - esta série ultrapassa tudo. Enganam-se aqueles que pensam que é - foi - uma série demasiado intelectualóide, ou demasiado macabra, ou simplesmente mais uma.

Fala da morte, e assim nos fala a todos. Tudo o que conhecemos vai morrer, incluindo nós. Por isso, para quê tanta angústia? Com um raio em cima, decepados por um semáforo, cortados ao meio por um elevador, atingidos por uma bola de golfe, atacados por um tigre…

Tentei adivinhar, muitas vezes, como seria o último episódio. É o fim das séries, livros e filmes que nos dizem, realmente, da qualidade da obra. Por muito boa que a trama seja, se o fim for forçado, ou demasiado óbvio/fácil, o que se passou anteriormente perde o valor. É o fim que se nos retém na memória, e nos ajuda a lembrar o resto.

As séries anteriores (da I à IV) acabaram em suspenso. Nesta, quando vi o Nate bater as botas (finalmente!), pensei que fosse o fim. Ah, estava tão enganada. Como se pudesse acabar de uma maneira tão simplista. E, agora que vi o último episódio, penso: poderia mesmo acabar de outra maneira?

O carro (novo) de Claire a dirigir-se a Nova Iorque,e vemos flashes do futuro. A creche para cães de Ruth, Sarah e Betina, o primeiro aniversário de Willa Fischer Chenowith, o casamento católico de David com Keith. E, subitamente, Ruth a morrer numa enfermaria. O reencontro de Claire com Ted no funeral de Ruth. O casamento destes. Keith assassinado por assaltantes. Rico com um ataque de coração num cruzeiro. David vai-se a meio de um almoço de família ao ar livre. Brenda segue-se. E a imagem final de Claire, muito velha, deitada num quarto cujas paredes estão cheias de fotos que mostram vários momentos do passado, até se deterem nas fotos de Ted nu, tiradas no início do episodio. E vemos os olhos de Claire a morrer. E vemos os olhos de Claire a dirigirem-se para Nova Iorque, rumo a um destino a ela desconhecido.

PS. Obrigado, 2:!. Agora façam-se a vontade e comprem o Nip Tuck!!!

quinta-feira, agosto 03, 2006

Sinais do Apocalipse...

'O teu telemóvel chama por ti, agora com voz de bebé!'

O anúncio do Skip Sabão Natural. Com aquela música.

Lady Sara C vira-se para amigos intelectualóides e outros e pergunta: 'Olha lá, por acaso não tens cds do Quim Barreiros que me emprestes pra gravar?'


Nota: Eu não defendo, de maneira nenhuma, a gravação de cds pirata com fins lucrativos.

segunda-feira, julho 31, 2006

Ohhh Mascarado!!!!!


Uma homenagem a todas as miúdas para aí, que são suficientemente velhas para se lembrarem desta série.

Ip, Ip, Urra pra nós.

quinta-feira, julho 06, 2006

As férias cá estão, e eu ainda não fui levar as vacinas...

FÉÉÉRIAS!!!!

Quer dizer, após o trabalho pró Barata,claro. Mas isso não conta.

As férias. O que são as férias para mim? Amores loucos de Verão, estadias na Tunísia, um corpinho Danone...

Bem, não são nada disso.

São melgas sedentas do meu sangue B+, ensaios de banda para o concerto de outubro, piscina local na terrinha, banhas invernais a terem de ser exibidas perante conterrâneos, pêssegos comidos às três da manhã enquanto se vêem filmes do Rambo, etc, etc, etc.

Se isto continuar assim, atiro-me das escadas abaixo e vou passar as férias ao hospital. Sempre tenho melhor paisagem...

hommage to the MASTER