O céu calmo antes da tempestade...
domingo, setembro 30, 2007
Múuuusica, eu nasci prá múuuusica....
quinta-feira, setembro 27, 2007
sexta-feira, setembro 21, 2007
Hoje de manhã...

... vinha eu da Casa da Cultura, com o meu portátil às costas e a mala cheia de coisas, quando passa por mim um tipo dentro dum carro a cair de podre, óculos da Ray Ban e a ouvir música infantil a altos berros. E pensei: eis o homem da minha vida e eu que não consigo correr atrás dele.
(a minha vida dava um filme do Malick)
PP. E sem nada a propósito, mas que belíssimo espectáculo de relâmpagos que eu tive ontem da minha janela....
segunda-feira, setembro 10, 2007
segunda-feira, julho 30, 2007
domingo, julho 29, 2007
A Noite Ordinária

Que bela noite ordinária que eu passei!
Foi isso há tempos
num quarto defendido pelas pulgas
e vigiado por um vento carteirista
que morava (disseste)
mesmo ali ao pé.
O problema da luz foi o primeiro
(que resolvemos apagando-a)
depois o das torneiras
depois o do marinheiro
que queria entrar nos nossos problemas
depois o teu
o teu problema já na cama
- na cama com mais paciência que encontrei!
Depois
falaste com as torneiras
e eu gritei.
Gritei por calculado amor
por brilhantina
por miséria
gritei até pela vitória
(supremo humor!)
dos que se batem contra a Cara-Alegre
gritei p’ra não parar de gritar
gritei «Chapultepec!» e «Oaxaca!»
(nomes por excelência afrodisíacos)
gritei até descobrir
o sítio em que te «escondias»
e então deixei-te gritar…
Quando a noite resignada
abria a última pálpebra
gritei ainda: «Mas é isto o espelho!»
E o dia levantou-se como um cão
(imagem acessível à família…)
da bela noite ordinária
que passei…
Alexandre O'Neill
sexta-feira, julho 27, 2007
quinta-feira, julho 05, 2007
quinta-feira, junho 14, 2007
Venham daí esses comentários
Ok, a pedido de várias famílias qualquer pessoa pode fazer comments neste blog.
Espero não me arrepender!!!!
Bem, de volta ao trabalho.
Espero não me arrepender!!!!
Bem, de volta ao trabalho.
quarta-feira, junho 13, 2007
Nada duas vezes (Nic dwa razy)
Duas vezes nada acontecenem acontecerá. E assim sendo,
nascemos sem prática
e sem rotina vamos morrendo.
Nesta escola que é o mundo,
mesmo os piores
nunca repetirão
nenhum Inverno, nenhum Verão.
Os dias não podem ser repetidos,
não há duas noites iguais,
não há dois beijos parecidos,
não se troca o mesmo olhar.
Ontem, o teu nome
em voz alta pronunciado
foi como se uma rosa
me tivessem atirado.
Hoje, ao teu lado,
voltei a cara para a parede.
Rosa? O que é uma rosa?
Será flor? Será rocha?
Porque tu, ó má hora,
me trazes a vã tristeza?
Se és, tens de passar.
Passarás – e daí a tua beleza.
Abraçados, enlevados,
tentaremos vencer a mágoa,
mesmo sendo diferentes
como duas gotas de água.
Wislawa Szymborska (1957)
domingo, junho 03, 2007
Piadinha (pequenina, pequenina...)

A MacDonalds vai lançar um novo hambúrguer a pensar nos nerds.
Vai-lhe chamar Big Mac Intosh.
(este tipo de piadas é mais com o Rui, mas prontos...
quinta-feira, maio 31, 2007
Feminista Frustrada Pondera Fazer Tricot (ou porque é que sou muito mais do que um receptáculo de hormonas)

sei, sei.
que importo eu perante
as Teorias e as Ideias e as Verdades
sou só humana, progamada biologicamente
para funcionar a nível básico de reprodutibilidade
e não ousar ir além nem com a força etérea do pensamento...
talvez seja suficientemente interessante
para entrar numa estatística, para um estudo psicanalítico
- sei lá -
mas tenho de ficar num cantinho da tua vida
porque há coisas mais importantes que eu,
que realmente importam alguma coisa para o resto do mundo.
sabes que mais? tens razão.
eu sou insignificante perante as Ideias as Verdades e não sei que mais.
e Tu também o és.
sim, tu.
tenho mais que fazer do que aquilo para que fui programada.
se julgas que estarei sempre em casa à tua espera,
comida na mesa e sorriso na cara, 'então querido como foi o teu dia?',
vai bater à porta da vizinha porque nesta não tens isso.
eu também quero fazer mais do que simplesmente existir,
não tenciono deixar as coisas iguais ao que estavam
antes de eu deixar entrar oxigénio nos pulmões, ora essa.
e se vens estorvar os meus objectivos de vida
(sim, eu também tenho objectivos, julgas que és só tu?)
sai-me da frente por favor.
perdi demasiado tempo a ser em função de alguém.
quero ser eu só porque posso.
só porque é bom que a minha felicidade e infelicidade seja responsabilidade minha.
ligo e desligo quando quero, choro e rio porque me apetece.
é bom saber que existes, que procuras Ideias e Verdades
- talvez seja por isso que gosto tanto de ti -
e se é,
deixa-me também gostar de mim pelas mesmas razões.
V '07
segunda-feira, maio 28, 2007
Simone de Beauvoir & Jean-Paul Sartre

“A partir de agora tomo conta de si”, disse-me Sartre quando me anunciou que passara. Tinha prazer nas amizades femininas. A primeira vez que o vira na Sorbonne usava chapéu e conversava animadamente com um mulherão da agrégation que eu achava muito feia; desagradara-lhe depressa; ligara-se com outra, mais bonita, mas que dava complicações e com quem em breve se zangara. Quando Herbaud lhe falara de mim quisera logo conhecer-me e agora estava todo contente por poder agarrar-me; quanto a mim, parecia-me que todo o tempo que não passava com ele era tempo perdido. Durante os quinze dias que durou a oral do concurso, só nos separávamos para ir dormir. Íamos à Sorbonne fazer as provas e ouvir as recomendações dos nossos colegas. Saíamos com os Nizan. Tomávamos bebidas no Balzar com Aron, que fazia o serviço militar na meteorologia, com Politzer, que estava agora inscrito no Partido Comunista. A maioria das vezes passávamos os dois sozinhos. No cais do Sena, Sartre comprava-me exemplares do Pardaillan e do Fantomas, que preferia de longe à Correspondência de Rivière e Fournier; levava-me à noite ver fitas de cow-boys, pelos quais me apaixonei como neófita, pois era sobretudo especialista no cinema abstracto e no cinema de arte. Nas esplanadas dos cafés ou bebendo cocktails no Falstaff durante horas, conversávamos.
Nunca pára de pensar”, dissera Herbaud. Isso não significava que segregava a todo o momento fórmulas ou teorias: detestava o pedantismo. Mas o seu espírito estava sempre alerta. Ignorava os torpores, as sonolências, as fugas, as esquivas, as trevas, a prudência, o respeito. Interessava-se por tudo e nunca aceitava nada como sendo definitivo. Diante de um objecto, em vez de o escamotear a favor de um mito, de uma palavra, de uma sensação, de uma ideia preconcebida, contemplava-o; não o largava antes de ter compreendido as suas causas, os seus efeitos e os seus múltiplos sentidos. Não perguntava a si próprio o que se devia pensar, o que seria excitante ou inteligente pensar-se: só o que ele próprio pensava. Assim, decepcionava os estetas ávidos de uma elegância comprovada. Ouvindo-o dois anos antes fazer um exposé, Riesmann, deslumbrado pela logomaquia de Baruzi, dissera-me tristemente: “Não tem génio!” Durante uma aula sobre a “classificação” a sua boa-fé minuciosa pusera esse ano à prova a nossa paciência; acabara por forçar o nosso interesse. Interessava sempre as pessoas a quem a novidade não afastava, pois não tendo em vista a originalidade, não caía em nenhum conformismo. Obstinada, ingénua, a sua atenção apreendia na sua profusão as coisas bem vivas. Como o meu pequeno mundo era apertado, ao lado desse universo abundante! Mais tarde só certos loucos me inspiraram uma humildade parecida, quando descobriam numa pétala de rosa um encadeamento de intrigas tenebrosas.
Falávamos de uma porção de coisas, mas particularmente de um assunto que me interessava mais do que todos: eu própria. Quando pretendiam explicar-me, as outras pessoas anexavam-me para o seu mundo, irritavam-me; Sartre, pelo contrário, tentava situar-me no meu próprio sistema, compreendia-me à luz dos meus próprios valores, dos meus próprios projectos. Ouviu-me sem entusiasmo quando lhe contei a minha história com Jacques; para uma mulher educada como eu fora, era talvez difícil evitar o casamento: mas não pensava que isso desse bom resultado. Em todo o caso eu devia preservar o que havia de mais admirável em mim: o meu gosto pela vida, a minha curiosidade, a minha vontade de escrever. Não só me encorajava nesse projecto como propunha ajudar-me. Mais velho do que dois anos – que aproveitara -, tendo começado mais cedo e melhor, sabia muito mais do que eu sobre todos os assuntos: mas a verdadeira superioridade que ele reconhecia em si, e que me saltava aos olhos, era essa paixão tranquila e violenta que o lançava para os seus futuros livros. Noutros tempos eu desprezara as crianças que tinham menos ardor a brincar ao croquet ou a estudar: eis que encontrava uma pessoa aos olhos de quem os meus frenezins pareciam tímidos. E com efeito, se me comparava com ele, as minhas febres eram mornas! Achara-me extraordinária porque não conseguia conceber a vida sem escrever: ele vivia para escrever.
Não contava, decerto, levar uma vida de homem fechado num escritório; detestava as rotinas e as hierarquias, as carreiras, os lares; os direitos e os deveres, todas as coisas sérias da vida. Resignava-se mal à ideia de ter uma profissão, colegas, superiores, regras a observar e a impor; nunca seria um pai de família nem um homem casado. Com o romantismo da época e dos seus vinte e três anos, sonhava com grandes viagens: a Constantinopla, onde confraternizaria com os estivadores; embrigar-se-ia nas caves com os chulos; daria a volta ao globo, e nem os párias das Índias, nem os popes do monte Atlas, nem os pescadores da Terra Nova teriam segredos para ele. Não criaria raízes em parte nenhuma, não acarretaria qualquer posse: não para ficar disponível em vão, mas para testemunhar de tudo. Todas as suas experiências deviam aproveitar à sua obra, e afastava categoricamente as que pudessem diminuí-la. Sobre este assunto discutimos firme. Eu admirava, pelo menos em teoria, as grandes desordens, as vidas perigosas, os homens perdidos, os excessos de álcool, de droga, de paixão. Sartre mantinha que quando se tem alguma coisa a dizer qualquer desperdício é criminoso. A obra de arte, a obra literária, era aos seus olhos um fim absoluto; tinha em si a sua razão de ser, a do seu criador e até mesmo –ele não o dizia, mas eu suspeitava de que estava persuadido – a do universo inteiro. As contestações metafísicas faziam-no encolher os ombros. Interessava-se pelas questões políticas e sociais, simpatizava com a posição de Nizan; mas o seu assunto era escrever, o resto só vinha depois. Aliás, era então mais anarquista do que revolucionário; achava detestável a sociedade tal como ela era, mas não detestava detestá-la; o que chamava a sua “estética de oposição” acomodava-se perfeitamente com a existência de imbecis e malvados e até a exigia: se não houvesse nada a abater, a combater, a literatura não teria sido grande coisa.
Com algumas diferenças, havia um grande parentesco entre a sua atitude e a minha. Não havia nada de mundano nas suas ambições. Censurava o meu vocabulário espiritualista, mas também era uma salvação que procurava na literatura; os livros introduziam neste mundo deploravelmente contingente uma necessidade que abraçava também o seu autor; certas coisas tinham de ser ditas por ele e então todo ele seria justificado. Tinha juventude bastante para se comover com o seu destino quando ouvia um tema de saxofone depois de beber três Martinis; se fosse preciso, teria aceite permanecer anónimo: o importante era o triunfo das ideias, não o seu próprio êxito. Não pensava – como me acontecera pensar – que era “alguém”, que tinha “valor”; mas considerava que importantes verdades – talvez fosse ao ponto de pensar: a Verdade – se tinham revelado a ele e que tinha por missão impô-las ao mundo. Em cadernos que me mostrou, nas suas conversas e até mesmo nos seus trabalhos escolares, afirmava com teimosia um conjunto de ideias cuja originalidade e coerência espantavam os amigos. (…)
Tive a evidência que escreveria um dia uma obra filosófica que contaria. Mas não facilitava a tarefa, pois não tinha a intenção de compor, segundo as regras tradicionais, um tratado teórico. Gostava tanto de Stendhal como de Espinosa e recusava-se a separar a filosofia da literatura. A seus olhos, a contingência não era uma noção abstracta mas uma dimensão real do mundo: era preciso utilizar todos os recursos da arte para tornar sensível ao coração essa secreta “fraqueza” que via no homem e nas coisas. A tentativa, para a época, era muito insólita; era impossível tomar inspiração numa moda ou num modelo: tanto me impressionara o pensamento de Sartre pela sua maturidade como fiquei desconcertada com a inabilidade dos ensaios onde o exprimia; a fim de a apresentar na sua singular verdade, recorria ao mito. (…) Ele apercebia-se desta incapacidade, mas não se inquietava; de qualquer forma nenhum sucesso bastaria para fundar a sua confiança inconsiderada no futuro. Sabia o que queria fazer e tinha a vida à sua frente: acabaria por fazê-lo. Não duvidei um só instante: a sua saúde, o seu bom humor ultrapassavam todos os obstáculos. Manifestamente a sua convicção recobria uma resolução tão radical que mais dia menos dia, de uma maneira ou de outra, teria o seu fruto.
Era a primeira vez na minha vida que me sentia intelectualmente dominada por outrem. Muito mais velhos que eu, Garric, Nodier tinham-me impressionado: mas de longe; vagamente, sem que eu me comparasse com eles. Com Sartre, todos os dias, durante o dia inteiro, eu me comparava a ele e nas nossas discussões não me mostrava à altura. No Luxemburgo, uma manhã, perto da Fonte Médicis, expus-lhe essa moral pluralista que eu construíra para justificar as pessoas de quem gostava mas a quem não queria assemelhar-me: desfê-la em pedaços. Eu estava agarrada a ela porque me autorizava a tomar como árbitro do bem e do mal o meu coração; debati-me durante três horas. Tive de reconhecer a minha derrota; além disso, apercebera-me durante a conversa que muitas das minhas opiniões só repousavam em princípios, má-fé ou incoerência, que as minhas ideias eram confusas. “Já não tenho a certeza do que penso, nem sequer de pensar.”, escrevi decepcionada. Não punha nisso nenhum amor-próprio. Era muito mais curiosa do que imperiosa, gostava mais de aprender do que brilhar. Mas mesmo assim, depois de tantos anos de arrogante solidão, era um acontecimento sério descobrir que não era nem única, nem a primeira: era uma entre muitos e bruscamente insegura das minhas verdadeiras capacidades. Porque Sartre não era o único a obrigar-me à modéstia: Nizan, Aron, Politzer tinham sobre mim um avanço considerável. Eu preparara o concurso à pressa: a cultura deles era mais sólida do que a minha, estavam ao corrente de uma porção de novidades que eu ignorava, tinham o hábito da discussão; e, sobretudo, eu tinha falta de método e de perspectiva; o universo intelectual era para mim uma vasta confusão onde eu caminhava às apalpadelas; quanto a eles, a sua busca era, pelo menos de um modo geral, orientada. (…) Todos eles tinham tirado muito mais radicalmente do que eu as consequências da inexistência de Deus e trazido a filosofia do céu para a terra. O que também me impressionava era que tinham uma ideia bastante precisa dos livros que queriam escrever. Eu repetira que “diria tudo”; era muito e muito pouco. Descobri com inquietação que o romance põe mil problemas, do que eu nunca suspeitara.
Mas não perdi a coragem; o futuro parecia-me bruscamente mais difícil do que eu contara, mas era também mais real e mais seguro; em vez de possibilidades sem forma, eu via abrir-se diante de mim um campo claramente definido, com os seus problemas, as suas tarefas, os seus materiais, os seus instrumentos, as suas resistências. Já não me interrogava: o que fazer? Havia tudo a fazer; tudo o que outrora desejara fazer: combater o erro, encontrar a verdade, dizê-la, iluminar o mundo, talvez até ajudá-lo a mudar. Precisaria de tempo, esforço para cumprir nem que fosse só uma parte das promessas que fizera; mas isso não me assustava. Nada fora ganho: tudo era possível.
Além disso, uma grande oportunidade me era dada: diante desse futuro, bruscamente já não estava sozinha. Até então, os homens de que eu gostara – Jacques e, em menor grau, Herbaud – eram de uma espécie diferente da minha: desenvoltos, fugidios, um pouco incoerentes, marcados por uma espécie de graça funesta; era impossível comunicar com eles sem reserva. Sartre respondia exactamente ao voto dos meus quinze anos: era o sósia onde eu encontrava, levadas à incandescência, todas as minhas manias. Com ele poderia partilhar sempre tudo. Quando o deixei no princípio de Agosto sabia que nunca mais sairia da minha vida.
Simone de Beauvoir, in Memórias de Uma Menina Bem-Comportada
quarta-feira, maio 23, 2007
quinta-feira, maio 17, 2007
O Suicídio é um Gesto Nobre

‘O suicídio é um gesto nobre (…) Ele é mesmo uma voz da Natureza para o animal que tem bons ouvidos. O lacrau. A baleia. Muito pássaro engaiolado. Quando nasceste a Natureza disse-te toma lá a vida e sê contente com ela. Não te disse toma lá a vida e espera aí um pouco que eu já te codilho. E que fazer se ela é um estupor? se ela ta dá e depois te cai em cima com um cancro invalidez fome cegueira paralisia reumatismo hidrocelos hepatites zumbideiras nos ouvidos trombose afasias pancada na mioleira e traições humilhações públicas e privadas depressões angústias metafísicas desastres políticos desastres amorosos burlas ambições amochadas derrotas no futebol na lotaria nas artes e letras e mais e mais e mais? O suicídio é o único acto nobre com que se pode enfrentar a traição da Natureza. Porque ela espera de nós o quê? Ela espera de nós a cobardia, a submissão abjecta, o comer e calar. Não vos caleis. Falai a única linguagem que ela e os deuses entendem. O suicídio é um acto nobre e corajoso e os que se suicidaram ficaram na História com o seu exemplo sublime. Catão, Lucrécio, Séneca, Luciano, Petrónio, quantos mais. Não se conta de ninguém que morreu de caganeira. Não se conta de suicídio senão dos romanos mas não dos gregos que eram uns merdas. Mas sempre o suicídio se assinalou como a razão da morte de quem teve razão na vida. Ele é mesmo o acto sacramental glorioso como abrir as tripas num país que conheceis. E é poruqe a Natureza conta com a vossa abjecção que há gente excedentária no planeta. Vede os pretos e amarelos que se multiplicam como as moscas. Assim o suicídio é uma acção benemérita em favor dos povos enquanto não for uma acção obrigatória como pagar uma multa por um carro mal estacionado. Glória aos precursores voluntários desta medida higiénica e demográfica, antes de ela vir a ser uma obrigação constitucional.
(…) Passava à questão prática da escolha do modo suicidário. Porque isto é naturalmente importante.(…) Isto tem uma graduação cultural de dignidade, sexo e até de classe. Já imaginaram um militar ou um arcebispo suicidarem-se com pesticidas? Ou um campónio com barbitúricos? Ou uma mulher com uma espingarda caçadeira que lhe deixasse a cara em fascículos? Não sou tão exigente ou rigoroso que vos aconselhe um método de execução. Eles são mesmo inúmeros porque a necessidade humana é imensa. Mas dou-vos alguns para uma ementa mais variada. Eles são, aliás, os mais correntes, ou seja os mais batidos na experiência. Escolhei. Mas sede prudentes e escolhei com ponderação. Os métodos que vos sugiro são: 1 – o tiro. É rápido e funcional. E tem a vantagem de não precisar de preparativos. 2 – por enforcamento. Também é rápido mas tem o inconveniente de se ter de montar a corda, armar o laço, subir para um banco, empurrá-lo e ficar com a língua de fora. 3 – afogamento. Incómodo. Mais lento e com o incómodo da água. 4 – o punhal. Só praticável para homens históricos e já um pouco fora de uso. E há a sangueira. 5 – o veneno. É conforme. Os pesticidas proletários dão dores que se fartam. Os barbitúricos são mais suaves. Adormece-se e não vale a pena chamarem porque já se não acorda. Mais próprios para mulheres que têm sempre a esperança de que de todo o modo as acordem. 6 – debaixo do comboio ou do metro. Método também popular. Pouco cordial para quem tem de apanhar os destroços. Mas de decisão rápida. Está-se ao pé da linha e a decisão vem ou não vem. Se vem, é logo. 7 – cortar as veias. É um método clássico e histórico para quando não havia o tiro nem o comboio. Muito digno. Mas muito sujo. O exemplo mais célebre é o de Petrónio que tapava e destapava a veia para ir entretendo o paleio com os amigos e ir morrendo por etapas. Pouco recomendável para os tempos modernos pela demora e falta de limpeza. São estes sete processos que vos proponho porque o 7 é um número esotérico e contém portanto uma verdade profunda. '
(…) Passava à questão prática da escolha do modo suicidário. Porque isto é naturalmente importante.(…) Isto tem uma graduação cultural de dignidade, sexo e até de classe. Já imaginaram um militar ou um arcebispo suicidarem-se com pesticidas? Ou um campónio com barbitúricos? Ou uma mulher com uma espingarda caçadeira que lhe deixasse a cara em fascículos? Não sou tão exigente ou rigoroso que vos aconselhe um método de execução. Eles são mesmo inúmeros porque a necessidade humana é imensa. Mas dou-vos alguns para uma ementa mais variada. Eles são, aliás, os mais correntes, ou seja os mais batidos na experiência. Escolhei. Mas sede prudentes e escolhei com ponderação. Os métodos que vos sugiro são: 1 – o tiro. É rápido e funcional. E tem a vantagem de não precisar de preparativos. 2 – por enforcamento. Também é rápido mas tem o inconveniente de se ter de montar a corda, armar o laço, subir para um banco, empurrá-lo e ficar com a língua de fora. 3 – afogamento. Incómodo. Mais lento e com o incómodo da água. 4 – o punhal. Só praticável para homens históricos e já um pouco fora de uso. E há a sangueira. 5 – o veneno. É conforme. Os pesticidas proletários dão dores que se fartam. Os barbitúricos são mais suaves. Adormece-se e não vale a pena chamarem porque já se não acorda. Mais próprios para mulheres que têm sempre a esperança de que de todo o modo as acordem. 6 – debaixo do comboio ou do metro. Método também popular. Pouco cordial para quem tem de apanhar os destroços. Mas de decisão rápida. Está-se ao pé da linha e a decisão vem ou não vem. Se vem, é logo. 7 – cortar as veias. É um método clássico e histórico para quando não havia o tiro nem o comboio. Muito digno. Mas muito sujo. O exemplo mais célebre é o de Petrónio que tapava e destapava a veia para ir entretendo o paleio com os amigos e ir morrendo por etapas. Pouco recomendável para os tempos modernos pela demora e falta de limpeza. São estes sete processos que vos proponho porque o 7 é um número esotérico e contém portanto uma verdade profunda. '
Na tua Face, Vergílio Ferreira
quinta-feira, maio 03, 2007
terça-feira, abril 10, 2007
Pra finalizar...
Já na Domingo, suplemento do Correio da Manhã (este é a minha mãe que compra, por causa das colecções), um artigo sobre a doença bipolar e uma pequena lista sobre doentes bipolares famosos. Todos artistas ou ligados às artes. Será a criatividade realmente uma ‘doença’? Olhem, aqui está a Florbela Espanca e o Mário de Sá Carneiro. E a Virgínia Woolf e o Antero. Todos suicidados. Argh. Também o Hemingway, idem. Oh, o Francis Ford Coppola (he still lives!!!). Hum. Reflexão profunda sobre isto? Ná, não me apetece.
E para não desiludir os leitores habituados à futilidade da minha conversa neste blog, deixem-me concluir com ‘O Marco d’Almeida é mesmo lindo, não é?’
Fui.
E para não desiludir os leitores habituados à futilidade da minha conversa neste blog, deixem-me concluir com ‘O Marco d’Almeida é mesmo lindo, não é?’
Fui.
Estes críticos...
Este domingo foi definitivamente um dia para me pôr a par da imprensa. Ainda no Público, o único jornal no qual gasto dinheiro mesmo que não traga ofertas grátis, com todos os seus defeitos etc, no P2, p.12, vem o crítico Jorge Mourinha. Ora ele é tudo menos um mãos-largas no que toca a dar estrelinhas a filmes, e às vezes parece que isto é defeito e não feitio, mas passemos adiante. Decididamente, ele nem é dos piores. Claro que me vai dar bolinha preta a todos os meus futuros filmes (e talvez assim me traga mais público, sei lá), mas tenho de apontar uma coisinha. Nestas curtas linhas, Mourinha chama a atenção para uma nova séria da RTP2 (já agora, mas porquê mudar de logo, meu querido canal?) chamada Irmãos e Irmãs, que dá às sextas às 22.30. Serviço público, obrigado, realmente nem me apercebi que havia uma série nova. Dispensável seria talvez a crítica à boca larga ao ‘hype internacional de House (por exemplo)’. Ora vejo no Oxford Genie que hype é uma palavra depreciativa, to hype significando to advertise sth a lot and exxagerate its good qualities, in order to get a lot of public attention for it. Não nego que isto aconteceu, mas isso é defeito do canal que comprou a série e não desta em si. Porque é uma boa série. Ok, não são os Sete Palmos de Terra nem o 24 (e eu acho esta sobrestimada), mas nem o pretende ser, bolas. O mérito repousa quase todo nos ombros de Hugh Laurie, e se vamos não gostar da série só porque ela é popular, bolas… Que treta. Mas não foi por isto que eu quis falar. É que Jorge Mourinha, crítico já com um ethos construído, que parece odiar tudo o que tenha mais de 10 espectadores (posso estar errada, mas é o que parece), comete a gaffe do ano ao enumerar as protagonistas da referida série: com um elenco de luxo encabeçado por Ally McBeal, Rachel Griffiths e pela veterana Sally Field. Para quem não sabe, Rachel Griffiths é a ‘Brenda’ dos Sete Palmos. Fiquei cheia de vontade de ver a série. Mas algo no meu cérebro habituado a ler javardices de críticos e teóricos do cinema mundiais fez clic. E reli. Hum. ‘Ally McBeal’. Que actriz é esta? É que só conheço a personagem ficcional. Quereria Mourinha referir-se a Calista Flockhart, que interpretou a referida personagem na série com o mesmo nome? Deixem-me ver numa coisa chamada IMDB (que recomendo fortemente a este crítico). Exactamente, aqui está. Ups, sr. Jorge Mourinha…
Errar é humano. Mas um crítico que joga tão duro na hora de classificar o trabalho dos outros, espera-se que tenha a mesma consistência, rigor e exigência quando se trata do seu trabalho… não?
As Ocas e os Cromos

Falando nestes assuntos, pelos vistos a TVI, acusada de promover uma imagem idiota de ambos os sexos em ‘A Bela e o Mestre’ (e deixem-me acusá-los também de terem um programa estúpido, talvez primeiro que tudo), anunciaram já que vão fazer uma outra versão (Nããããããõ!!!!) intitulada ‘O Belo e a Mestra’, onde modelos tipo Calvin Klein serão emparelhados com tipas vesgas, cheias de acne e de inteligência. Desde já recuso em adiantado o convite que a TVI me fará de certeza para participar no programa (afinal não sou nenhuma Mulher Elefante, bolas), mas pergunto-me: como é que uma estação televisiva pode ser tão IDIOTA???? Bolas, eles têm o RuiVilhena a trabalhar pra eles (isso e passarem o ‘House’ adiantados da Fox, são os únicos pontos positivos de que me lembro. Três, contando com o Marco d’Almeida). Não é essa a questão!
O problema está em associar a superioridade intelectual a um desleixo físico, e a simetria e preocupação com a imagem a um desleixo intelectual. É muito mais que um insulto às mulheres lindas e ocas, ou aos homens que, apesar de cromos, conseguem ir pra cama com elas. É sobretudo um insulto à complexidade do ser humano. É afirmar que a cultura desfigura o físico, torna-nos corcundas, míopes e completamente incapazes de seduzir seja quem for. Ou que lá por se pôr um bocado de maquilhagem na cara, frequentar o ginásio e ter uma alimentação equilibrada (acrescento que não acho nenhuma daquelas raparigas bonita, e eu sei apreciar mulheres, já pus uma foto da Bellucci nua neste blog) não se sabe quem é o primeiro ministro… É tão cliché pensar assim, tudo preto ou tudo branco… Por favor, passem mas é o Nip Tuck num dia definido e deixem-se de estragar a programação com m.e.r.d.a.
House e os metrossexuais
Quem despoleta a polémica é uma tal de Júlia Ward, no blog TVSquad. Supostamente se Beckham é o ideal de homem para a mulher burra (e basta pensar na um dia lindíssima Victoria que está casada com ele), House é o sex-symbol da mulher que pensa. Uau. Obrigado.
Ora bem. Considero-me uma mulher pensante, um bocado pro bipolar e com níveis baixos de estrogénio, ok, mas mesmo assim uma mulher. E sim, o House é o tipo de homem com quem não me importava de passar o resto da vida (e falo da personagem, embora o actor me pareça também muito interessante do ponto de vista psicológico…). Porque é inteligente, porque não sendo necessariamente bonito tem charme, é sarcástico, faz rir, é uma espécie de miúdo grande, tem qualquer coisa muito escondida lá no fundo daquela carapaça rija, vive no meio do caos, gosta de música, toca piano… Como é que os homens não percebem qual é o atractivo de House? Ele é um misantropo por opção, e qualquer rapariguinha que queira mais do que um belo cabide com ‘piwinha’ pras noites frias deseja entrar naquele universo escondido. Um homem com garra, com determinação, que não se gaba de ser tããão inteligente, que não tem qualquer preocupação com o aspecto, que não nos rouba os cremes pra cara… isto sem ser um machista tipo ‘cozinha-me o jantar e remenda-me as meias’. Hello?
Depois o artigo descamba para a comparação óbvia (e admitida por David Shore, que criou a série) entre House e Holmes.
Sinceramente, não percebo o que faz tanta espécie aos membros do sexo masculino. Sim, há tipas que gostam de metrossexuais, outras que gostam de seres pensantes, etc etc. Somos todas diferentes, bolas. Tal como eu me recuso acreditar que todos os seres do sexo masculino iriam de boa vontade pra cama com a Soraia Chaves sem pensar duas vezes. O House é o House e é médico e tem os olhos azuis. Médico. Não nos acusaram sempre de ver o dinheiro à frente de fosse o que fosse? Eis a estabilidade económica. Não percebo como é que ainda ninguém pôs essa questão. ‘Mulher pensante é aquela que se preocupa em assegurar a sua estabilidade económica a qualquer custo, nem que seja através do ordenado do marido’.
segunda-feira, abril 02, 2007
segunda-feira, março 26, 2007
Quando julgávamos que já tinhamos visto tudo...
segunda-feira, março 19, 2007
terça-feira, março 13, 2007
O Grande Desastre Deste Fim-De-Semana
Bolas, um fim-de-semana que tinha tudo pra correr bem, até recebi uma medalha de 10 anos de banda e coiso e tal, e matam o Frederico! Mas isso faz-se????
terça-feira, março 06, 2007
Aviso
Avisam-se todos os amigos, conhecidos, namorados, relações mais ou menos coloridas ou qualquer outra pessoa que tenha necessidade de me engraxar seja por que motivo for, que coloquei sob a nova secção 'Comprem-me prendas' alguns links que poderão ajudar na hora da escolha.
De nada.
De nada.
segunda-feira, março 05, 2007
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Amílcares
terça-feira, fevereiro 13, 2007
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
Porque a poesia é o ópio dos ociosos...
TALVEZ
Tua voz me raptou ou
Talvez a aspereza da palma da mão
E a leveza da ponta dos dedos
Nas teclas do piano!
O desengonço da tua silhueta,
Talvez!
Os ombros caídos como os de um vencido,
Talvez!
A quentura da tua pele,
Talvez!
O sorriso belo e triste,
Talvez!
Modelo cultural trazido das cinzas helênicas;
Dos estilos controversos de viver,
Quem sabe?
A vulgar pose de cruzar as pernas,
Talvez...
Uma assombração, aparição que se fez matéria
Com lábios carnudos de púrpura cor,
Quase prostitutos,
Talvez...
Noctâmbulo tímido!
Ama ninguém,
Logo não receia a morte!
Por isso, me aprisionou.
Para sempre?
Talvez!
Helena Quental
Tua voz me raptou ou
Talvez a aspereza da palma da mão
E a leveza da ponta dos dedos
Nas teclas do piano!
O desengonço da tua silhueta,
Talvez!
Os ombros caídos como os de um vencido,
Talvez!
A quentura da tua pele,
Talvez!
O sorriso belo e triste,
Talvez!
Modelo cultural trazido das cinzas helênicas;
Dos estilos controversos de viver,
Quem sabe?
A vulgar pose de cruzar as pernas,
Talvez...
Uma assombração, aparição que se fez matéria
Com lábios carnudos de púrpura cor,
Quase prostitutos,
Talvez...
Noctâmbulo tímido!
Ama ninguém,
Logo não receia a morte!
Por isso, me aprisionou.
Para sempre?
Talvez!
Helena Quental
AAAAAHHHHHHHH.....
Isto de ser arrancada da cama por um tremor de terra até que tem o seu estilo... ;)
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
Vómito Poético

de repente, acordas e sentes que tudo o que de bom a vida reserva
está no pretérito perfeito e não há maneira
de carregar no rewind e, de qualquer modo, só o esforço de esticar a mão
para fora das mantas está tãão longe das tuas capacidades
que nem o ousas com medo que um machado caia em cima do braço
e to corte. porque tudo o que é mau é possível
desde que não traga nada de bom.
ah, aqueles dias em que querias que existisse um deus
para teres quem processar, ou pelo menos enxovalhar (isto
dos verbos pouco usados uma pessoa nunca tem a certeza
de estar a utilizar a ortografia recomendada nos novos dicionários)
e dizer: senhor deus, desculpe lá mas é um imbecil
com tantas coisas interessantes para fazer porque raio me há-de
estar a foder a vida? isto não é um jogo de computador,
bolas, eu não sou nenhum Job, e se pensa que tenho paciência para sofrer as dez pragas
do Egipto pense outra vez, não é difícil encontrar a resposta,
se quiser a ajuda do público ou telefonar para a Virgem Mãe é só dizer à produção.
o que mais irrita é esta mania
de tentar exprimir sentimentos a bater com os dedos
em teclas de tecnologia pensada pela mente humana, feita pela frieza
agradável do sistema em série, o que há de bom nos computadores
é que ninguém os pariu. abaixo o aborto do windows xp.
quando até a televisão conspira para mudar a hora da nossa série preferida
sem nos apercebemos começamos a acreditar que há forças malévolas superiores, e nós aqui tipo micróbios com cheiro a sabonete e pus na cara (pus escrito não
tem o mesmo impacto que dito) a fingir que o livre arbítrio existe, e que amanhã
será melhor se não nos passar um autocarro por cima. ou que será melhor exactamenteporque isso acontece.
e depois nem me dá gozo reler o que escrevi. é tão pretensioso. é tão
mau. é tão abaixo dos meus parâmetros que era melhor rasgar a folha ou então
lançá-la ao vento, em muitas cópias, para que ninguém ligue ou repare.
ah bendita época em que se deixa de fumar para ter mais dinheiro para comprar mais coisas inúteis nos supermercados, para viver mais anos para comprar mais coisas inúteis nos supermercados,
para que possamos ser saudáveis para apreciar as coisas inúteis compradas nos supermercados,
para que a indústria da nicotina se vire de vez para o negócio dos supermercados.
consumista comunista confessa. derreada. deprimida. suicidada.
Isto de melhorias não vai com nada...
Depois de tanto discorrer sobre o biopic, quem vai precisar de filmes panegíricos sou eu. 'Lady Sara C - a vida inútil, a obra mal começada e o trágico suicídio após melhoria de nota fracassada'
Quero que a Monica Bellucci fique com o papel principal. E o Johnny Depp a fazer de seja lá quem for, não me interessa. Desde que haja uma parte ficcional em que o meu eu cinematográfico se envolva com ele.
Argh, deixem-me voltar à porcaria do Word...
Quero que a Monica Bellucci fique com o papel principal. E o Johnny Depp a fazer de seja lá quem for, não me interessa. Desde que haja uma parte ficcional em que o meu eu cinematográfico se envolva com ele.
Argh, deixem-me voltar à porcaria do Word...
segunda-feira, janeiro 22, 2007
Lady Sara C sempre em cima das actualidades...
(sinceramente, há coisas melhores pra andar em cima, mas ele não deixa...)
Mes amis, tive o meu primeiro contacto com a revista Sábado. Isto porque a minha mãe resolveu fazer-me aquela colecção fantástica dos grandes enigmas da história, coiso e tal (invejem-me, va lá). Isto significa que nunca vou conseguir ler todos os livros que tenho em casa. Oba oba.
Primeira grande informação: uma coisa chamada freak dancing, também conhecida como grinding. Pesquisem na Wikipedia sobre o que é, porque isto é um blog de respeito coisa e tal. Mais ou menos. Nem por issoo. Basicamente, é a nova moda nos liceus americanos. Após aquela temporada de 'mata o teu professor e colegas num massacre' vem agora o treino de uma forma de dança que simula movimentos sexuais. Pelos vistos até há um movimento chamado 'andar à cão' que a vossa anfitriã, lady como é, se abstém de explicar como é. Vários comentadores já lhe chamam o desenvolvimento da lambada. Mando-vos aqui um link pra se cultivarem: http://www.courant.com/news/local/hc-simfreaking0113.artjan13,0,2856207.story?page=1&coll=hc-headlines-home
Outra gande notícia: a poligamia no estado do Utah, associada a um grupo de mórmones puristas. A poligamia é um assunto que me persegue há já algum tempo. O mais recente caso foi o visionamento de Jules et Jim de Truffaut. Oba oba. Embora aquela poligamia seja algo que me é mais fácil compreender. Dois homens pra uma. O sonho da vossa anfitriã... Casas separadas, e tutti. O que é que eu acho da poligamia? Se são felizes assim... sempre me ensinaram que a partilha é uma grande virtude. Mais, a ideia de ter alguém com quem cortar no marido comum... oh, o gozo profundo. A única desvantagem (apontada por vários praticantes, e eu sempre desconfiei que vosse) é na altura de cumprir as funções maritais. Isso de uma às segundas, quartas e sextas e a outra às terças, quintas e sábados é muito esquisito. Se bem que o tudo ao molho seja sempre uma opção. Estarei a desviar-me do caminho do bem??? Argh, deixem-me um post e digam-me a vossa opinião.
Por fim, a última notícia: Will Wright, o senhor que é um dos meus ídolos (um dia tenho de fazer uma lista de 'Os Grandes para Sara C'), porque criou aquele meu grande vício que é The Sims, vai lançar um novo jogo, Spore, em que somos uma gota de H2o no início da evolução terrestre e temos de lutar e nos adaptar pra sermos criaturas que povoam vários mundos no Universo. Uau. Mal posso esperar pra sacar isso da Net. Sim, porque este país, em matéria de novidades em videojogos...argh.
terça-feira, janeiro 16, 2007
Os Grandes Portugueses
Ando estranhamente em cima das actualidades. Primeiras grandes desilusões: o facto de José Saramago, Egas Moniz e Fernando Lopes-Graça (este acho que nem nos 100…) terem chegado ao top ten. Surpresa (?): o Salazar ter chegado lá. Ó meus amigos… Eu sei que as coisas andam mal desde que o Afonso Henriques deu numa de rebelde e fundou um país assim por capricho ou complexo de Édipo mal resolvido, mas há limites… É o equivalente de os espanhóis elegerem o Franco! É suposto ser alguém que ponha Portugal no mapa, alguém realmente importante para todos, um representante da essência do ser português, essa portuguesidade no bom sentido!!! Por mim, acho excessivo que tantos reis dos Descobrimentos estarem nesse top ten (quer dizer, é uma escolha demasiado óbvia, além que parece que a nossa História se resume a esse século…). Intenção de voto? Porque estou chateada com a presença do Salazar nessa lista, ainda pensei votar no Álvaro Cunhal. Além de que o senhor traduziu o Rei Lear quando esteve na prisão e nós, bardólatros, temos de ser uns pelos outros. Mas por outro lado, eu que fiquei um BOCADINHO chateada quando, em Inglaterra (de onde veio a ideia desta treta dos grandes portugueses blá blá blá…) o número um foi atribuído a Sir Winston Churchill, sim, muito importante, e Shakespeare ficou em quarto, acho que aqui devemos dar a vitória a um artista. Sim, se somos um país de poetas, buga lá assumi-lo com tomates (não dos podres, dos eufemísticos). Entre o Camões e o Pessoa, a minha escolha recai sobre o último. Ora essa, o homem é um espírito britânico num corpo português… ok, agora a sério. Pessoa é um pós-modernista antes do pós-modernismo, falou sobre tudo, não lambeu as botas ao D. Sebastião, tinha aquela paixão esquisita assolapada com a Ofélia (lembro-me sempre daquela cena sobre o vão das escadas, que ela conta…), tinha uma data de tipos dentro da cabeça (como eu o compreendo…), e… ora bolas, não preciso de me justificar. Aliás, deixem-me justificar pondo aqui uma pérola daquela alma que eu gostava tanto de ter conhecido (e o top ten não ter ninguém ainda vivo deve querer dizer alguma coisa, mas não sei se quero perceber o quê). E como estou a pensar escrever um pequeno ensaio sobre o que é o amor, tiro as frases das cartas para a senhora Ofélia.
Meu Bebé pequeno e rabino:
Cá estou eu em casa, sozinho, salvo o intelectual que está pondo o papel nas paredes (pudera! havia de ser no tecto ou no chão!) e esse não conta. (…)Sabes? Estou-te escrevendo mas não estou pensando em ti. Estou pensando nas saudades que tenho do meu tempo da caça aos pombos, e isto é uma cousa, como tu sabes, com que tu não tens nada… Foi agradável hoje o nosso passeio – não foi? Tu estavas bem disposta, e eu estava bem disposto, e o dia estava bem disposto também. (…) Bebé, vem cá; vem para o pé do Nininho; vem para os braços do Nininho; põe a tua boquinha contra a boca do Nininho… Vem… Estou tão só, tão só de beijinhos… (…) Açoites é que tu precisas.
Adeus; vou-me deitar dentro de um balde de cabeça para baixo, para descansar o espírito. Assim fazem todos os grandes homens – pelo menos quando têm – 1ºespírito, 2º cabeça, 3º balde onde meter a cabeça.
Um beijo só durante todo o tempo que ainda o mundo tem que durar, do teu, sempre e muito teu
Fernando (Nininho)
Buga dar a vitória a este homem! Nas trivialidades se encontram os verdadeiros génios.
PP. Isto deixa-me algumas preocupações, esta relação Nininho-Bebé. Primeiro, os diminutivos são mesmo necessários? As alcunhas carinhosas existem mesmo entre os grandes nomes da literatura (e estou a pensar no Sartre e na Beauvoir)? Hum. Depois, será que algum dia, se tiver o azar de ficar famosa por alguma coisa, ou me meter na cama de alguém que fique de repente famoso (mais provável porque não implica eu ser famosa, extremamente difícil devido à minha natureza altamente anti-social que pode ser confundida com timidez – ou é o contrário? De qualquer modo, sei que vou morrer sozinha), a nossa correspondência – se isso ainda existir – será publicada postumamente. O meu cadáver vai morrer de vergonha. Pior, a Vodafone irá vender o registo das minhas mensagens para ele, e o mesmo fará seja qual for a operadora dele. Argh. Abominável, a ideia. E e-mails, com links na Wikipedia, parece que estou a ver…
Meu Bebé pequeno e rabino:
Cá estou eu em casa, sozinho, salvo o intelectual que está pondo o papel nas paredes (pudera! havia de ser no tecto ou no chão!) e esse não conta. (…)Sabes? Estou-te escrevendo mas não estou pensando em ti. Estou pensando nas saudades que tenho do meu tempo da caça aos pombos, e isto é uma cousa, como tu sabes, com que tu não tens nada… Foi agradável hoje o nosso passeio – não foi? Tu estavas bem disposta, e eu estava bem disposto, e o dia estava bem disposto também. (…) Bebé, vem cá; vem para o pé do Nininho; vem para os braços do Nininho; põe a tua boquinha contra a boca do Nininho… Vem… Estou tão só, tão só de beijinhos… (…) Açoites é que tu precisas.
Adeus; vou-me deitar dentro de um balde de cabeça para baixo, para descansar o espírito. Assim fazem todos os grandes homens – pelo menos quando têm – 1ºespírito, 2º cabeça, 3º balde onde meter a cabeça.
Um beijo só durante todo o tempo que ainda o mundo tem que durar, do teu, sempre e muito teu
Fernando (Nininho)
Buga dar a vitória a este homem! Nas trivialidades se encontram os verdadeiros génios.
PP. Isto deixa-me algumas preocupações, esta relação Nininho-Bebé. Primeiro, os diminutivos são mesmo necessários? As alcunhas carinhosas existem mesmo entre os grandes nomes da literatura (e estou a pensar no Sartre e na Beauvoir)? Hum. Depois, será que algum dia, se tiver o azar de ficar famosa por alguma coisa, ou me meter na cama de alguém que fique de repente famoso (mais provável porque não implica eu ser famosa, extremamente difícil devido à minha natureza altamente anti-social que pode ser confundida com timidez – ou é o contrário? De qualquer modo, sei que vou morrer sozinha), a nossa correspondência – se isso ainda existir – será publicada postumamente. O meu cadáver vai morrer de vergonha. Pior, a Vodafone irá vender o registo das minhas mensagens para ele, e o mesmo fará seja qual for a operadora dele. Argh. Abominável, a ideia. E e-mails, com links na Wikipedia, parece que estou a ver…
Nip Tuck

Não sei se se lembram, ou se vêm ao blog apenas para ver as imagens que de vez em quando ponho, mas quando acabou a saudosa série de Allan Ball Sete Palmos de Terra deixei o convite no ar à 2: (o canal de todos os pseudo e aspirantes de pseudo e aqueles que andam a estudar para aspirantes a pseudo-intelectuais – e incluo-me nestes últimos) para comprar a série Nip Tuck. Bem, tal como foi a TVI que comprou o meu caro Dr. House, e talvez numa linha de arranjar justificação para aquela coisa que ainda não tive oportunidade de ver chamada Dr. Preciso de Ajuda (e muita gente da minha banda diria que esta frase, há uns meses atrás, era o meu grito de guerra…), essa estação abominável comprou aquela que é capaz de ser a minha série preferida desta temporada. Pois, porque sejamos francos, isto do Dr. House andar tira metade da pica à coisa. Ou seja, vou ter de aturar aquele novelo que o referido canal atira para a emissão da noite pra ver o Christian Troy (que, vão perceber porquê quando virem, é o meu preferido) e o Sean Mcmalaren ou um apelido parecido (uma personagem assaz interessante a partir da segunda temporada). Eu, que já ando a ver furtivamente o Tu e Eu porque adoro o mauzinho da novela, o Alexandre (e, mais uma vez, pessoas que partilham a faculdade e o círculo de amigos comigo, quando virem vão perceber porquê – ou não), vou ter de dar audiência ao meu canal desfavorito. Hum. Mas valerá a pena. Afinal, vou poder partilhar o comentário dos episódios com a Kel, o que é óptimo. E todos vão perceber o meu fascínio. Ah, este ano vou ser feliz… Uma pessoa aumenta as dioptrias das lentes, e o mundo fica de repente tão nítido e risonho…
Hitler
Estava eu, um dia destes, a ler aquele ícone da informação nacional que é o Correio da Manhã, quando me deparo, na última página, com uma notícia que iria para sempre mudar a minha concepção do Führer: ele inventou a boneca insuflável. Sim, o senhor do bigodinho ridículo imitado por Chaplin esteve na origem daquele ícone da arte pop de que Warhol, infelizmente a nosso ver, se esqueceu. Supostamente a dita boneca teria como fim o prazer dos soldados em combate, para evitar o contacto impuro com as outras raças.Numa altura em que se discute tanto a questão do filme humorístico sobre Hitler que aí vem, e poucas semanas depois da vossa anfitriã ter gasto a módica quantia de 8.49€ na edição especial dois dvds de A Queda (um daqueles filmes), de novo o autor de Mein Kampf me surge na pacata existência cheia de ideais consumistas… digo, comunistas, e o projecto de, se não conseguir arranjar homem e/ou emprego neste país, ir para a Rússia ter um curso de cinema à séria, acompanhada pelo meu Sergei. (por acaso agora ando mais numa de Polónia e de Krszysztofs, mas pronto, apartes…) Voltando ao início, o homem que chacinou milhões de judeus e deu milhares de dólares a ganhar ao Spielberg inventou um dos auxiliares de masturbação mais famosos de sempre.
Imagino (e é neste momento que o post começa a descambar, por isso, se me querem ter em boa conta, passem ao próximo ou vão para o google ver quantas vezes o vosso nome aparece) que o Adolfozinho tenha tido uma juventude muito solitária. Sim, a Eva Braun, coisa e tal, mas, caro Adolfo…
A mão era demasiado judia para ti?
segunda-feira, janeiro 08, 2007
Love at First Sight, de Wislawa Szymborska (1993)
that a sudden passion joined them.
Such certainty is beautiful,
but uncertainty is more beautiful still.
Since they'd never met before, they're sure
that there'd been nothing between them.
But what's the word from the streets, staircases, hallways -
perhaps they've passed by each other a million times?
I want to ask them
if they don't remember -
a moment face to face
in some revolving door?
perhaps a "sorry" muttered in a crowd?
a curt "wrong number" caught in the receiver?
but I know the answer.
No, they don't remember.
They'd be amazed to hear
that Chance has been toying with them
now for years.
Not quite ready yet
to become their Destiny,
it pushed them close, drove them apart,
it barred their path,
stifling a laugh,
and then leaped aside.
There were signs and signals,
even if they couldn't read them yet.
Perhaps three years ago
or just last Tuesday
a certain leaf fluttered
from one shoulder to another?
Something was dropped and then picked up.
Who knows, maybe the ball that vanished
into childhood's thicket?
There were doorknobs and doorbells
where one touch had covered another
beforehand.
Suitcases checked and standing side by side.
One night, perhaps, the same dream,
grown hazy by morning.
Every beginning
is only a sequel, after all,
and the book of events
is always open halfway through.

Príncipe Encantado ou Sapo Viscoso?
Que queremos nós, projectos de mulheres do século XXI? Príncipes encantados ou Sapos Verdes Viscosos? É altura da Sarices fazer o seu primeiro inquérito em grande escala! Não se inibam! Respondam para cá! Postem à vontade! Eu quero saber o que a mulher dos nossos dias pensa! Ou o homem, que eu sou a maldade personificada mas nada me impede de ser tolerante! (se não quiserem postar, mandem um mail que eu dps coloco de forma anónima)
(se quiserem juntar uma descrição física/psicológica/emocional/performativa do vosso príncipe/sapo ideal, não hesitem! Contudo, nada de fotos. Sou muito nova e a minha bolsa não é assim tão boa para me dar ao luxo de ser processada. Eu também darei o meu lamirá, mas só no fim!!)
(se quiserem juntar uma descrição física/psicológica/emocional/performativa do vosso príncipe/sapo ideal, não hesitem! Contudo, nada de fotos. Sou muito nova e a minha bolsa não é assim tão boa para me dar ao luxo de ser processada. Eu também darei o meu lamirá, mas só no fim!!)
A Bondade Humana Não Existe...
Sinceramente, aquela treta do ‘bom selvagem’ de Rousseau nunca me convenceu. Para mim, o ser humano é mau em potência: a bondade é algo de apreendido, uma convenção a que nos habituamos e que seguimos para que não nos chateiem a cabeça. Sim, não acredito no ser bom desinteressadamente. Quanto muito, há pessoas a quem não nos importávamos de espetar uma faca nas costas e outras que nos é indiferente. Outras há que a única coisa que lhes queríamos espetar nas costas seria uma massagem (mas isso prende-se com razões biológicas e não quero entrar por aí). Sim, ser mau e omnívoro é inato. Vegetarianos de boa índole são violações da natureza (nunca é de mais lembrar que são raros e que o Hitler era vegetariano – quem come plantinhas indefesas é capaz das maiores maldades).
O que aconteceu entretanto foi o nascimento de uma coisa chamada sociedade. Ora, a partir do momento em que o homem se apercebe que dá jeito mais umas mãozinhas para caçar dentes-de-sabre (uma imagem do ponto de vista histórico errada mas tão bonita artisticamente), resolveu não matar/assassinar/quecar violentamente as mãozinhas extra. Começam a nascer normas de civilidade (e a palavra ‘norma’ diz tudo), etc etc. Ou seja, somos uns reprimidos. Devíamos ter o direito à maldade (embora esse direito possa acabar com sangue e tripas onde começa a maldade dos outros…). Vamos gritar todos, ‘sou mau e gosto!’.
Quem duvida da veracidade desta teoria, quem acredita que o ser humano é passível de actos bondosos, aconselho que apanhe o autocarro para Viseu, se dirija às informações e diga bom-dia ao ser que se encontra lá dentro. Ou então fale comigo num dos meus dias anti-sociais (não-cíclicos e por isso imprevisíveis). Boa sorte!
Os Americanos mataram os Marcianos!!!

Notícia no Yahoo! hoje: a NASA, quando visitou Marte há 30 anos atrás, poderá ter morto espécies marcianas de micróbios, possivelmente a única forma de vida que o planeta tinha. Isto porque andavam à procura de criaturas verdes e altas...
Ainda bem que ainda não era nascida na altura, senão ia ter problemas...
Mais informações em:
quinta-feira, janeiro 04, 2007
segunda-feira, dezembro 11, 2006
Estamos quase naquele dia tão importante... o meu aniversário
O blog Sarices Artísticas não podia passar esta data em branco e, por isso, quem quiser de algum modo contribuir para a minha felicidade no dia 27 do presente mês, trate de escolher algo da lista seguinte para me proporcionar um dia inesquecível (bolas, só se fazem 20 anos uma vez na vida...)
- Uma viagem a Londres, com estadia paga e viagens pelos alfarrabistas de Nothing Hill e, CLARO, Stratford-upon-Avon
- A primeira temporada do House Md. Dou-vos uma ajuda, está na FNAC.
- O livro Nothing like the Sun, de Anthony Burguess. Dica: só pelo Amazon.
- Um arco de violino
- Aquele livro sobre Alternative Scriptwriting que está na Bertrand
- A série Nip Tuck e a Six Feet Under.
- O filme American Beauty. Sim, é lindo
- Vocês-sabem-quem à minha porta vocês-sabem-onde também seria bom, como vocês sabem... (se quiserem deitar-se a adivinhar de que raio estou a falar, força, deixem-me um post)
- O dvd do Ed Wood (ya, não existe em Portugal...)
- OK, eu já fico feliz com um mero e-mail/SMS/bilhete para a ópera. A sério. E um donut de chocolate
Este Natal, seja original - ofereça um blog de fotos atrevidas ao seu namorado. Força nisso, Kel!
segunda-feira, dezembro 04, 2006
As matinés de Domingo
Para o estudante de Cinema, as matinés de Domingo dos nossos queridos quatro canais só significa uma coisa: filmes bastante dispensáveis, animais/bebés/utensílios de cozinha que falam, pancadaria japonesa e comédias românticas que estão bastante fora do prazo.
Bem, este domingo aquele canal que começa por T, acaba em I e tem um V no meio passou o Mean Girls e o Down With Love. E como tinha passado sexta e sábado de volta do meu guião e de livros altamente intelectualóides sobre a problemática da adaptação, resolvi tirar uma folga, estirar-me no sofá e ver a coisa.
Mean Girls, tenho de confessar, fui ver ao cinema. Sozinha. Depois do exame nacional de História, o meu último, por acaso. E gostei. Sim, gostei, 'tá giro.
Down With Love - o tal canal anunciou-o como estreia, mas tenho as minhas dúvidas, porque já tinha visto aquilo no meu sofá - ok, também é giro, principalmente aquele uso maroto do split screen.
Estou a escrever isto porque há algo que me aflige. Tenho-me apercebido que a História do Cinema privilegia aquilo que eu chamo 'filme de gajo', ignorando como mau à partida tudo o que lhe cheire a chick flick. Bem, há excepções, mas na maior parte dos casos... E este ano é o lobby Scorsese. Sim, acreditem, vão-lhe dar o Óscar este ano. Já tá tudo decidido. Não sei como podem ser tão maus para filmes como The Perfume e Marie Antoinnette para depois elevarem aos píncaros o The Departed. Não, não vi o filme. Mas não preciso de o ver pra saber que é outro Million Dollar Baby - giro, pena que já se fizeram filmes com o mesmo tema e muito melhores.
Argh, eu ando é muito indie e feminista, desculpem lá...
Bem, este domingo aquele canal que começa por T, acaba em I e tem um V no meio passou o Mean Girls e o Down With Love. E como tinha passado sexta e sábado de volta do meu guião e de livros altamente intelectualóides sobre a problemática da adaptação, resolvi tirar uma folga, estirar-me no sofá e ver a coisa.
Mean Girls, tenho de confessar, fui ver ao cinema. Sozinha. Depois do exame nacional de História, o meu último, por acaso. E gostei. Sim, gostei, 'tá giro.
Down With Love - o tal canal anunciou-o como estreia, mas tenho as minhas dúvidas, porque já tinha visto aquilo no meu sofá - ok, também é giro, principalmente aquele uso maroto do split screen.
Estou a escrever isto porque há algo que me aflige. Tenho-me apercebido que a História do Cinema privilegia aquilo que eu chamo 'filme de gajo', ignorando como mau à partida tudo o que lhe cheire a chick flick. Bem, há excepções, mas na maior parte dos casos... E este ano é o lobby Scorsese. Sim, acreditem, vão-lhe dar o Óscar este ano. Já tá tudo decidido. Não sei como podem ser tão maus para filmes como The Perfume e Marie Antoinnette para depois elevarem aos píncaros o The Departed. Não, não vi o filme. Mas não preciso de o ver pra saber que é outro Million Dollar Baby - giro, pena que já se fizeram filmes com o mesmo tema e muito melhores.
Argh, eu ando é muito indie e feminista, desculpem lá...
A recomendação da semana, aqui na Sarices


Sabem, mes amis, once upon a time there comes a picture that changes the history of all motion pictures... Um dos meus grandes desejos impossíveis, logo a seguir ao ter uma relação escaldante com o Johnny Depp, é ter tempo pra escrever pequenas críticas de todos os filmes que vejo. Impossível, claro, mesmo para quem tem tão pouca vida social como eu. Por isso me limito a dizer gostei/não gostei/nem pensem que vou ao cinema ver isso. Redutor, mas eficaz.
A Trilogia das Três Cores do polaco Krzysztof Kieślowski era daquelas coisas que eu sabia que tinha de ver, mais tarde ou mais cedo, não porque ouvisse falar muito dela, mas porque me perseguia para todo o lado (sabem o que eu digo, quando algo nos persegue, mais vale enfrentá-lo). E lá os vi, pela ordem Azul - Branco - Vermelho. E não é que os filmes são mesmo bons??? Mesmo muito, muito bons. E europeus. Mais um realizador do qual tenciono ver o máximo possível. E vocês, mes amis, que tal darem uma olhadela? Não se vão arrepender...
segunda-feira, novembro 27, 2006
segunda-feira, novembro 20, 2006
Poesia russa pros mes amis

HAMLET
Acalma-se o tumulto. No palco estou
contra o portal da porta,
ao longe, reconhecendo vagamente
o que o meu tempo pode trazer.
O escuro da noite jorra sobre mim
milhares de olhos que me fima;
mas Abba, Pai, se essa for a tua vontade,
afasta este cálice dos meus lábios.
Com firmeza o teu desígnio tem o meu amor,
este papel que me deste quero ter;
mas agora encena-se um drama diferente:
poupa-me agora do teu caminho.
E no entanto a ordem dos actos é fixa,
o fim do caminho e irreversível.
Estou só. Agora é o tempo dos Fariseus.
A vida não é como um passeio ao campo.
É impróprio ser famoso
pois não é isso que eleva.
E não vale a pena ter arquivos
nem perder tempo com manuscritos velhos.
O caminho da criação é a entrega total
e não fazer barulho ou ter sucesso.
Infelizmente, nada significa
como uma alegoria andar de boca em boca.
Mas é preciso viver sem pretensões,
viver de tal modo que no fim de contas
venha até nós um amor ideal
e ouçamos o apelo dos anos que hão-de vir.
O que é preciso rever
é o destino, não antigos papéis;
lugares e capítulos de uma vida inteira
anotar ou emendar.
E mergulhar no anonimato,
e ocultar nele os nossos passos,
como foge a paisagem na neblina
em plena escuridão.
Que outros nesse rasto vivo
seguirão o teu caminho passo a passo,
mas tu próprio não deves distinguir
a derrota da vitória.
E não deves por um só instante
recuar ou trair o que tu és,
mas estar vivo, e só vivo,
e só vivo – até ao fim.
Boris Pasternak
Subscrever:
Mensagens (Atom)












